sábado, 16 de abril de 2011

Cidade Vampiro, de Paul Féval

Publicada em 1875 (22 anos antes de Drácula), Ville Vampire é uma das mais surpreendentes histórias de vampiro já escritas, combinando uma narrativa ágil com muita ação e situações inesperadas.

Ousado, irreverente, o autor brinca com os clichês do romance de terror e coloca como heroína da história a própria Ann Radcliffe, uma das mais célebres autoras de novelas góticas. E o mais irônico é que a rocambolesca aventura supostamente vivida pela escritora é muito mais fantástica do que todas as histórias concebidas por ela.
Esta novela poderia muito bem ter sido escrita nos dias de hoje. Contada num ritmo delirante, a história faz ao mesmo tempo uma paródia do romance de terror e a própria desconstrução do gênero. Os clichês e arquétipos da clássica novela gótica são habilmente manipulados, com todos os seus ingredientes: o fantástico, o assustador, o terrorífico, mas de uma forma irresistivelmente divertida.
A estrutura narrativa de Cidade Vampiro, não linear, com saltos no tempo, cortes e efeitos teatrais, lembra história em quadrinhos ou filme de ficção científica, o que lhe dá um toque de modernidade. Tensa e pontuada por muita ação, a história ainda conta com personagens tão inusitados que beiram o surreal.
Um de seus pontos altos é a magistral descrição de Selene, a cidade dos vampiros: cinética, onírica e lisérgica como uma viagem de ácido. Que formidável desafio teria o diretor de cinema que tentasse passar para a tela as imagens surreais da cidade dos vampiros, com sua esdrúxula arquitetura, suas estátuas de animais bizarros e donzelas transformadas em estátuas subjugadas por feras mitológicas!

O autor

Féval, numa caricatura de Étiénne Carjat,
por volta de 1865
Paul Féval (1816-1887) foi um dos grandes autores de folhetim na França,chegando a rivalizar com Alexandre Dumas e Eugene Sue.
Sua obra, composta por mais de 200 volumes editados em folhetins alcançaram enorme sucesso, igualando-o a nomes como Balzac e Dumas no cenário literário.
Nos anos 50 e 60 seus romances de capa e espada foram muito populares no Brasil, como
O Corcunda, O Cavaleiro Lagardére, Mistérios de Londres e outros.
Cultor da literatura fantástica, além de Ville-Vampire, escreveu obras como La Vampire, Le Chevalier Ténèbre, Une Histoire de Revenants, etc.
Como Alexandre Dumas, Féval também teve um filho homônimo que seguiu a carreira e conseguiu notoriedade continuando a obra do pai. Paul Féval filho (1860-1933), escritor bem mais modesto, mesmo assim encontrou um público leitor assíduo graças à fama do seu imortal progenitor.

Leia mais no www.jornalivros.com.br :

O romance gótico revisitado por um mestre do folhetim

Cidade Vampiro, Paul Féval
Bira Câmara Editor, 2011
Brochura, 165 págs., formato 14 X 21 cm.